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terça-feira, 5 de julho de 2016

Escritório de advocacia ligado a Paulo Bernardo recebeu R$ 7 milhões em propina



Ex-ministro dos governos Lula e Dilma foi preso hoje na deflagração da Operação Custo Brasil, desdobramento da Lava Jato em São Paulo

Veja, 23/06/2016, 

O ex-ministro do Planejamento e Comunicações dos governos Lula e Dilma, Paulo Bernardo, preso preventivamente nesta quinta-feira na Operação Custo Brasil, recebeu cerca de 5,6 milhões de reais do esquema de corrupção montado no Ministério do Planejamento, entre 2010 e 2015, segundo o Ministério Público Federal em São Paulo. Em coletiva de imprensa, o procurador Andrey Borges de Mendonça afirmou que há provas de que 7 milhões de reais do esquema foram remetidos para um escritório de advocacia, em Curitiba, que, por sua vez, repassou 80% desse montante (5,6 milhões de reais) para Paulo Bernardo por meio de um contrato fictício.

"Foi contratado esse escritório para serviços que não existiam, o advogado [Guilherme Gonçalves] recebia esses valores e direcionava 80% à custa de Paulo Bernardo. [O dinheiro] servia para o pagamento de empregados dos dois [do ex-ministro e do advogado] e de custos de honorários referentes a ações na Justiça Eleitoral. Isso é o que nós estimamos, mas pode ainda ser mais", afirmou o procurador, destacando que os investigados faziam parte de uma "organização criminosa" instalada no "coração do governo".

A operação deflagrada hoje decorre de um desdobramento das Operações Pixuleco I e II, da Lava Jato, e têm como objeto de apuração um contrato firmado com a empresa Consist para o gerenciamento de empréstimos a servidores do Ministério do Planejamento. Segundo o superintendente da Receita Federal Fábio Ejchel, o servidor que contraísse o financiamento consignado com a pasta acabava pagando 1 real por parcela, ao invés de 30 centavos, conforme o valor de mercado. O dinheiro desviado era repassado da Consist para o escritório de advocacia, que, por sua vez, distribuía os valores aos seus parceiros, entre eles o ex-ministro, por meio de empresas de fachada, de acordo com as investigações.

Além de Paulo Bernardo, um mandado de prisão preventiva foi expedido contra o advogado do escritório, Guilherme Gonçalves, que ainda não foi localizado pela PF. Ele prestava assessoria jurídica para as campanhas da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), mulher de Paulo Bernardo, que não pode ser investigada pela procuradoria de São Paulo por ter foro privilegiado.

Segundo os investigadores, Paulo Bernardo continuou recebendo os valores, mesmo após ter saído do ministério do Planejamento no governo Lula (de 2005 a 2011) para assumir o das Comunicações no governo Dilma (de 2011 a 2015). O esquema envolvia a participação do primeiro, segundo e terceiro escalão do Ministério do Planejamento - no caso, o ministro e o corpo diretivo da pasta. A procuradoria apontou que os desvios totalizaram, ao todo, a 100 milhões de reais, num período de cinco anos.

"Cem milhões de reais foram desviados de funcionários públicos que se privaram de medicamentos e das suas necessidades básicas para abastecer os cofres dos corruptos. Não podemos admitir que isso seja o custo Brasil", afirmou Mendonça. O procurador ainda destacou o fato de a operação de hoje ser resultado de um desmembramento da Lava Jato, que foi tirada da alçada do juiz Sérgio Moro e da procuradoria em Curitiba por não ter relação com os desvios do petrolão. "Isso foi uma demonstração que, na verdade, as investigações vão continuar onde quer que elas estejam. Mostram também que a corrupção não é um privilégio da Petrobras, mas está espraiada como um câncer em diversas entidades da sociedade", disse.

O advogado Rodrigo Mudrovitsch, que defende Paulo Bernardo e Gleisi, afirmou que a prisão do ex-ministro "não se justifica". "O meu cliente não ocupa mais nenhuma função pública e sempre se colocou à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos".

O aumento da fortuna e do prontuário de Fernando Collor prova que por trás do Lula pai dos pobres existe um Lula mãe dos ricos



Lula recita de meia em meia hora que só pensa nos pobres. Mas o farsante que inventou o Brasil Maravilha sempre encontrou tempo para enriquecer, garantir a prosperidade da família e aumentar a fortuna de amigos já milionários. Fernando Collor, por exemplo, foi premiado com uma diretoria da BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras.

Numa negociata desvendada pela Operação Lava Jato, embolsou 20 milhões de reais. Essa e muitas outras maracutaias em que se meteu justificaram a operação da Polícia Federal que deixou “indignado” o ex-presidente defenestrado do Planalto por vontade popular. Muito maior é a indignação do Brasil decente, ultrajado pelas delinqüências protagonizadas em parceria por Lula e Collor.

Por enquanto, só foram apreendidos carrões e computadores. O país que presta aguarda, com justificada ansiedade, o confisco de ex-presidentes que imploram pela traseira de um camburão.

Delator afirma que o PT pediu R$ 30 milhões para quitar dívida de Haddad



Flávio Gomes Machado Filho, ex-diretor da empreiteira Andrade Gutierrez, disse que o pedido foi feito pelo ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto

Veja, 29/06/2016, www.veja.com.br

O ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto pediu à Andrade Gutierrez o pagamento de uma dívida de 30 milhões de reais da campanha do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT). O valor teria sido cobrado também de mais cinco construtoras, revelou Flávio Gomes Machado Filho, ex-diretor da empreiteira, em delação premiada na Operação Lava Jato. "Em 2013, o PT, por meio de João Vaccari Neto, tesoureiro do partido, solicitou à Andrade Gutierrez o pagamento de uma dívida do partido referente à campanha de Haddad à Prefeitura de São Paulo", afirmou Machado Filho, em depoimento no dia 25 de fevereiro, na Procuradoria-Geral da República (PGR), em Brasília.

"A dívida era de 30 milhões de reais. Também houve a solicitação do pagamento a outras cinco empresas, de modo que ficariam 5 milhões de reais para pagamento pela Andrade Gutierrez." Vaccari está preso. Dono da UTC Engenharia, Ricardo Pessoa - primeiro grande empreiteiro a fazer delação premiada - já confessara, no ano passado, que chegou a pagar uma despesa de 2,4 milhões de reais da campanha do petista.

Eleito em 2012, Haddad arrecadou 42 milhões de reais em sua campanha e gastou 67 milhões de reais - um rombo de pelo menos 25 milhões de reais, assumido pelo Diretório Nacional do PT no ano seguinte. Parte desse valor era do contrato fechado com a Polis Propaganda e Marketing, de João Santana. Responsável pela campanha de reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2006, e da primeira vitória da presidente afastada Dilma Rousseff, em 2010, o publicitário foi contratado pela campanha de Haddad por 30 milhões de reais. Em 2014, ele foi o responsável pelo marketing da campanha de reeleição de Dilma.

Pagamento - Em sua delação, o ex-executivo da Andrade Gutierrez afirmou que 5 milhões de reais que a empreiteira teria de pagar eram para Santana. "Não sabe se a dívida de 30 milhões de reais era com João Santana ou o total da campanha de Haddad, mas a parte da Andrade Gutierrez, os 5 milhões de reais, era de dívida do PT com João Santana", afirmou aos procuradores. O delator disse que foi "o próprio Vaccari" quem passou o contato da mulher do marqueteiro, Mônica Moura. Sócia do marido na Polis, ela era a responsável pelas contas do casal. Ambos estão presos em Curitiba, desde fevereiro, alvos da Operação Acarajé, quando foi descoberta conta secreta na Suíça. Santana e Mônica são acusados de corrupção e lavagem de dinheiro.

Machado Filho contou também que chegou a procurar a mulher de Santana por telefone para acertar "um café, cujo nome não se recorda, na Rua Dias Ferreira (no Leblon, Rio)". "A dívida poderia ser paga no exterior, segundo Mônica". A Lava Jato descobriu a conta usada pelo casal, na Suíça, em nome da offshore ShellBill Finance Corp. O delator disse que, em reunião com diretores, foi decidido que a Andrade Gutierrez não pagaria os valores. "Mesmo a Andrade Gutierrez não tendo pago, não houve posteriormente desdobramentos." Machado Filho disse ainda que não tratou do pedido com Haddad. "Não sabe se Haddad sabia."

Defesas - A coordenação de campanha do prefeito Fernando Haddad informou que foi deixada uma dívida da disputa, em 2012, que chegava a 29 milhões de reais. "O valor foi declarado ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e repassado ao Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores, que faria sua liquidação", informou a equipe. Por meio de sua assessoria de imprensa, o PT disse que "refuta totalmente as ilações apresentadas". "Todas as doações que o PT recebeu foram realizadas estritamente dentro dos parâmetros legais e posteriormente declaradas à Justiça Eleitoral", disse o partido, em nota. A defesa de João Santana informou que apenas se manifestaria após conversar com seu cliente sobre o assunto.

(Com Estadão Conteúdo)

'A quem interessa o desmonte da delação', questiona procurador da Lava Jato






Em coletiva de imprensa, Roberson Henrique Pozzobon criticou as medidas legislativas que prevêem mudanças na colaboração premiada e pediu o engajamento da sociedade no combate à corrupção

Por Eduardo Gonçalves, 04/07/2016,
 www.veja.com.br

Os procuradores da força-tarefa da Lava Jato fizeram nesta segunda-feira um discurso enfático contra as medidas legislativas que prevêem alterações no instituto da delação premiada e nos acordos de leniência. Em coletiva de imprensa convocada para detalhar a 31ª fase da operação, a Abismo, deflagrada hoje, os procuradores pediram o engajamento de toda a sociedade no combate à corrupção e voltaram a fazer campanha pelas dez medidas propostas pelo Ministério Público contra crimes de colarinho branco, que tramitam no Congresso, e pela reforma política.

Em sua fala, o procurador Roberson Henrique Pozzobon citou as operações Turbulência, Custo Brasil, Saqueador, Tabela Periódica e a Abismo, deflagradas nos últimos quinze dias, como exemplo da contribuição das delações às investigações e de como a corrupção está "alastrada no país". Segundo Pozzobon, os agentes políticos são, na maioria dos casos, os destinatários finais da propina e o "topo da cadeia alimentar" dos esquemas.

"Nós precisamos estar atentos para as críticas que se fazem a esses acordos de delação e leniência. Serão elas razoáveis? Qual é o pano de fundo dessas críticas? O que nós vemos hoje e o que devemos nos perguntar é: a quem interessa o desmonte do instituto do acordo de colaboração e do acordo de leniência? A quem investiga ou a quem por meio desses acordos é investigado?", indagou Pozzobon.

O procurador também pregou a união entre os órgãos de investigação e a população para evitar que a "grande corrupção" invista contra as apurações. "Essas quatro operações somadas à de hoje nos mostram de uma forma muito clara que a corrupção está alastrada no nosso país e que não há como enfrentar o crime organizado no país de forma desorganizada. Precisamos cada vez mais que o MP, a polícia, o judiciário e a sociedade formem uma grande rede de combate à corrupção", disse o procurador. "O povo brasileiro já não agüenta mais agentes políticos que flertam e se casam com a corrupção", completou.

Na coletiva, o procurador Julio Motta ainda lembrou que a corrupção não se restringe a agentes públicos, mas também envolve o setor privado. Como exemplo, citou a revelação feita na Abismo de que um consórcio de empreiteiras pagou 18 milhões de reais à Wtorre para ela abandonar a licitação do Centro de Pesquisa da Petrobras (Cenpes), no Rio. O contrato de 850 milhões de reais para erguer o Cenpes é o principal alvo desta ação da Lava Jato. "A corrupção também se alastrou no setor privado. Essa é uma cultura que precisa ser mudada, tanto no ambiente privado como no público. Isso não pode ser a regra do jogo", afirmou o procurador.