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sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Teatro mambembe

Uma peça digna de teatro mambembe a encenação de governo e PSDB para dar a impressão de que não há derrotas nem derrotados

Por Dora Kramer, 14/11/2017,
 www.veja.com.br


A pretexto de montar uma saída elegante, conforme recomendou o governador Marconi Perillo, o PSDB comete a suprema deselegância de se juntar ao governo Michel Temer para contar lorotas à sociedade. Tanto o presidente quanto tucanos de primeiro escalão se disseram “surpresos” com o pedido de demissão de Bruno Araújo do ministério das Cidades que, por essa versão, vai precipitar as mudanças na equipe que  inicialmente seriam feitas em abril quando os ministros candidatos às eleições deveriam se desincompatibilizar dos cargo. Oficialmente, nada a ver com a urgência de o tucanato mostrar ao público que não estava sendo posto para fora e a necessidade do PMDB de colaborar com a salvação da honra do partido a fim de não queimar pontes e caravelas que poderão ser bastante úteis em 2018.
Verdadeiramente, é o que acontece. Ou o leitor e a leitora atentos se esqueceram de que na semana passada Michel Temer deu como “consolidada” a saída do PSDB? Lembram-se também de que depois disso, Aécio Neves _ a âncora que mantinha o partido atrelado ao Planalto - se apressou em constatar a aproximação do momento do desembarque. Puxando um pouco mais pela memória devem se recordar do seguinte: tão logo o país ficou sabendo das tratativas entre Aécio e Joesley Batista, Bruno Araújo anunciou, e depois recuou, que deixaria o ministério aliado ao grupo que preconizava pelo afastamento àquela época. Isso faz seis meses. Nesse período, Araújo se manteve silente sobre seu recuo e palavra pública não deu mais sobre a questão do sai ou fica.
É de se perguntar, então, qual a surpresa? Nenhuma. Apenas a direção o liberou para retomar a decisão original devido às circunstâncias. O PSDB precisava urgentemente fazer um gesto que marcasse a saída como iniciativa própria. A ajuda do Planalto veio na forma de versão bem ajeitada sobre a “reforma ministerial” que não reformará coisa alguma. Apenas acomodará os valdemares da costa neto da vida que reivindicavam, ao feitio de chantagem, postos mais robustos dos pontos de vista eleitoral e orçamentário para voltarem a conversar sobre a hipótese de votar assuntos de interesse do governo no Congresso.
Temer topou, inclusive porque um PSDB conflagrado, queixoso e desprovido da antiga condição de boa grife já não lhe servia para praticamente nada.  O Planalto obteve sua solução. Já o PSDB continua às voltas com um problemão.


Teatro mambembe

Uma peça digna de teatro mambembe a encenação de governo e PSDB para dar a impressão de que não há derrotas nem derrotados

Por Dora Kramer, 14/11/2017,
 www.veja.com.br


A pretexto de montar uma saída elegante, conforme recomendou o governador Marconi Perillo, o PSDB comete a suprema deselegância de se juntar ao governo Michel Temer para contar lorotas à sociedade. Tanto o presidente quanto tucanos de primeiro escalão se disseram “surpresos” com o pedido de demissão de Bruno Araújo do ministério das Cidades que, por essa versão, vai precipitar as mudanças na equipe que  inicialmente seriam feitas em abril quando os ministros candidatos às eleições deveriam se desincompatibilizar dos cargo. Oficialmente, nada a ver com a urgência de o tucanato mostrar ao público que não estava sendo posto para fora e a necessidade do PMDB de colaborar com a salvação da honra do partido a fim de não queimar pontes e caravelas que poderão ser bastante úteis em 2018.
Verdadeiramente, é o que acontece. Ou o leitor e a leitora atentos se esqueceram de que na semana passada Michel Temer deu como “consolidada” a saída do PSDB? Lembram-se também de que depois disso, Aécio Neves _ a âncora que mantinha o partido atrelado ao Planalto - se apressou em constatar a aproximação do momento do desembarque. Puxando um pouco mais pela memória devem se recordar do seguinte: tão logo o país ficou sabendo das tratativas entre Aécio e Joesley Batista, Bruno Araújo anunciou, e depois recuou, que deixaria o ministério aliado ao grupo que preconizava pelo afastamento àquela época. Isso faz seis meses. Nesse período, Araújo se manteve silente sobre seu recuo e palavra pública não deu mais sobre a questão do sai ou fica.
É de se perguntar, então, qual a surpresa? Nenhuma. Apenas a direção o liberou para retomar a decisão original devido às circunstâncias. O PSDB precisava urgentemente fazer um gesto que marcasse a saída como iniciativa própria. A ajuda do Planalto veio na forma de versão bem ajeitada sobre a “reforma ministerial” que não reformará coisa alguma. Apenas acomodará os valdemares da costa neto da vida que reivindicavam, ao feitio de chantagem, postos mais robustos dos pontos de vista eleitoral e orçamentário para voltarem a conversar sobre a hipótese de votar assuntos de interesse do governo no Congresso.
Temer topou, inclusive porque um PSDB conflagrado, queixoso e desprovido da antiga condição de boa grife já não lhe servia para praticamente nada.  O Planalto obteve sua solução. Já o PSDB continua às voltas com um problemão.


sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Quem pode ser presidente?

Por Juremir Machado da Silva, 10/11/2017,
 www.correiodopovo.com.br


Luciano Huck quer ser presidente
 da República.
Por que mesmo?
O que faz pensar que está habilitado para o cargo? Imagino duas categorias de presidenciáveis: o indivíduo que tem competência específica – como um cirurgião para operar – em gestão, direito, economia e política; e aquele que encarna o símbolo de uma classe, luta ou capacidade de mobilização de pessoas por sua entrega a uma causa. O que faz Luciano Huck e o técnico de vôlei Bernardinho pensar que eles integram uma dessas duas categorias? Bernardinho mostrou competência para treinar equipes de vôlei. Nada mais. Huck saber fazer um tipo particular de programa de televisão assistencialista. É tudo.
Bernardinho pensa em ser governador. Huck voa mais alto. O que eles possuem? Visibilidade. Eis uma das distorções da democracia: o mais visível passa a ser confundido com o mais preparado. Um campeão de xadrez deveria ser presidente da República? Não é visto como o mais inteligente? O irônico Bernard Shaw dizia que o xadrez é ótimo para preparar jogadores de xadrez. O presidente deveria ser então um especialista como Henrique Meirelles? Para cada uma das suas afirmações, sempre em tom definitivo, há alguma em contrário feita por outro especialista. A presidência deve ser entregue a tecnocrata, a um líder carismático ou a quem for capaz de unir todas essas facetas?
Não há resposta científica. Na democracia, a competência mais importante é a de fazer votos. Quem votaria em Luciano Huck? O mercado. É incrível como o tal mercado, tão apegado à meritocracia, vota em qualquer um que repita alguns dos seus slogans brandidos como modernos. Nunca pensei em deixar o Brasil. Acho esse tipo de desejo típico das simplificações de classe média. Mas se Huck for eleito talvez seja o caso de pensar nisso. Claro, há pior. Jair Bolsonaro. Eleger Bolsonaro tem a ver com uma visão simplista do tratamento da coisa pública. É a política do coice. Se meter o pé na porta, vai. A escolha de Huck é mais complicada. Ela só se explica pela confusão entre admiração por sucesso e visibilidade com habilitação para tudo.
Que um apresentador de televisão ou um treinador de vôlei, sem qualquer experiência política e administrativa e muito menos preparação teórica para esse tipo de atuação, possam sonhar em ocupar as mais altas funções públicas do país num passe de mágica eleitoral faz pensar em nossas limitações intelectuais. Ou é muito fácil ser presidente ou tem algo errado na fórmula. De repente, estamos todos dentro de um atroz reality show de autoajuda. Aí sopra um vento otimista: a democracia pode nos salvar disso. Basta que os eleitores façam uma escolha mais consistente e séria. Eles estão preparados para tanto? A eleição de Donald Trump nos Estados Unidos prova que não.
Restam as hipóteses radicais: e se para o eleitor a eleição não for mais do que um jogo no qual ele aposta sem crer profundamente no resultado? E se ele souber que vai perder sempre? E se o eleitor for um cínico que brinca com seu voto? Pode ser. O mercado fala sério.


domingo, 22 de outubro de 2017

O País da impunidade

Criminosos notórios e confessos, que deveriam estar atrás das grades, contratam bancas de advogados caríssimas, recebem privilégios e contam com a lentidão da Justiça para permanecerem soltos

Por Tábata Viapiana, 06/10/2017,
www.istoé.com.br
134

 rimes cometidos e curtem os     
A Operação Lava Jato é um ponto fora da curva. Pela primeira vez na história do País, autoridades e empresários poderosos foram parar atrás das grades por crimes de corrupção ativa e passiva. Empreiteiros, políticos, diretores da Petrobras não conseguiram fugir da caneta pesada do juiz Sergio Moro. Mas, a bem da verdade, nem mesmo a Lava Jato conseguiu acabar de vez com uma marca registrada do País: a impunidade. Com quatro instâncias de julgamento, pletora de recursos, lentidão do Judiciário, tudo colabora para que se escape das penas da lei. Não faltam exemplos de gente condenada, mas que está livre, leve e solta.

CANETA PESADA

Moro já condenou a maioria deles, mas réus importantes conseguem a liberdade nos tribunais.

O ex-ministro José Dirceu, que já deveria ter voltado para a cadeia, goza de plena liberdade em Brasília e nos fins de semana vai à festas e shows até mesmo com a camisa do Corinthians. Dirceu já foi condenado em segunda instância, o que obriga a execução da pena, conforme entendimento recente do Supremo Tribunal Federal. Mas a possibilidade de embargos de declaração retarda sua volta para a prisão. Não há prazo para o caso retornar às mãos do juiz Sérgio Moro para que ele expeça novo mandado de prisão contra Dirceu. Vale lembrar que o ex-ministro é reincidente: condenado no Mensalão em 2012, voltou a ser punido na Lava Jato. Não bastasse isso, diz o Ministério Público, Dirceu recebeu propinas mesmo depois do julgamento do Mensalão. Não se emenda.

BENEFÍCIOS

A advogada Adriana Ancelmo, esposa do ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, e condenada a 18 anos de prisão, usufrui do regime de prisão domiciliar, que ela cumpre em seu luxuoso apartamento no Leblon. Ela conseguiu o benefício para cuidar dos filhos, de 11 e 14 anos. A lei permite a prisão domiciliar a mulheres grávidas e/ou que tenham filhos de até 12 anos. Na prática, a realidade é outra. O caso de Adriana é uma exceção, um privilégio, graças à condição financeira e ao status da ex-primeira-dama do Rio. Segundo dados do Infopen, o Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias, das 37 mil mulheres presas no País, pelo menos 80% são mães. Por que apenas Adriana Ancelmo conseguiu o direito de ir para casa cuidar dos filhos? É mais um caso da diferença na aplicação da lei entre os ricos e os pobres. Coisa que bons advogados resolvem nos tribunais.

O empresário Eike Batista, que já foi o homem mais rico do país, acusado de envolvimento no esquema de corrupção de Sérgio Cabral, passou menos de quatro meses na cadeia. Foram no mínimo US$ 16,5 milhões em propinas pagas por Eike a Cabral. Hoje, em prisão domiciliar, o empresário mora numa mansão na capital fluminense. Na imensa sala, Eike ostenta carrões que valem milhões. Situação mais peculiar vive a jornalista Cláudia Cruz, mulher do ex-deputado Eduardo Cunha, preso em Curitiba. Cláudia foi beneficiada pela corrupção praticada pelo marido, mas foi inocentada por falta de provas, apesar de ostentar na internet fotos fazendo compras milionárias no exterior. Leva vida boa em sua mansão no Rio.

PRISÃO

Eike Batista está em “prisão domiciliar”. Basta observar a sala de confinamento acima para ver como é chata a vida do corrupto.

SÓ UM PRESO

E o que dizer dos executivos da Odebrecht que confessaram crimes escabrosos? Foram firmados 78 acordos de delação premiada com o Ministério Público, mas em apenas um deles há cumprimento de pena em regime fechado. Os executivos confessaram pagamentos de propina em onze países, além do Brasil, mas apenas o ex-presidente Marcelo Odebrecht está preso (e deixará a cadeia daqui a dois meses para o regime semi-aberto). Alguns diretores da Odebrecht sequer foram processados.

Na JBS, a situação não é muito diferente. A empresa ganhou os holofotes da mídia em razão das trapalhadas do ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que concedeu benefícios excessivos nas colaborações de sete executivos. Depois, Janot pediu a rescisão do acordo ao descobrir que os delatores omitiram crimes e informações. Do grande grupo empresarial, maior produtor de carne do mundo, apenas três pessoas estão presas: os sócios e irmãos Joesley e Wesley Batista, além do ex-diretor Ricardo Saud. Não fossem áudios gravados por engano entre Joesley e Saud, dificilmente eles teriam sido presos, e muito possivelmente, estariam aproveitando da impunidade brasileira em apartamentos de luxo no coração de Manhattan, em Nova York.

Mesmo desfrutando de prisão domiciliar, graças a um acordo de delação, o casal de marqueteiros do PT, João Santana e Mônica Moura decidiu por uma regalia ainda maior. Alegando dificuldades financeiras, pediram ao juiz Sergio Moro que liberasse R$ 10 milhões bloqueados em decorrência dos crimes praticados. Moro, como não podia ser diferente, negou o pedido e os recursos permanecem retidos. Afinal de contas, até a impunidade tem seus limites.

Como escapar da prisão apenas com um bom advogado:

Quatro instâncias judiciais;

Depois de uma condenação em primeiro grau, o réu pode acionar outras três instâncias superiores (o Tribunal de Justiça, o STJ e o STF).

Excesso de recursos;

Há uma enorme variedade de recursos da qual as defesas podem lançar mão para adiar a execução da pena, o que pode levar anos. Em muitos casos, as penas prescrevem.

Lentidão da Justiça;

A grande quantidade de ações em tramitação no Poder Judiciário atrasa julgamentos que podem levar os condenados à prisão.

Delação premiada;


Os acordos de colaboração costumam prever o cumprimento das penas em regimes diferenciados, sobretudo em prisão domiciliar, normalmente mansões que mais parecem clube social.

O País da impunidade

Criminosos notórios e confessos, que deveriam estar atrás das grades, contratam bancas de advogados caríssimas, recebem privilégios e contam com a lentidão da Justiça para permanecerem soltos

Por Tábata Viapiana, 06/10/2017,
www.istoé.com.br

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 Santana e Mônica Moura delataram os crimes cometidos e curtem os milhões em : A Operação Lava Jato é um ponto fora da curva. Pela primeira vez na história do País, autoridades e empresários poderosos foram parar atrás das grades por crimes de corrupção ativa e passiva. Empreiteiros, políticos, diretores da Petrobras não conseguiram fugir da caneta pesada do juiz Sergio Moro. Mas, a bem da verdade, nem mesmo a Lava Jato conseguiu acabar de vez com uma marca registrada do País: a impunidade. Com quatro instâncias de julgamento, pletora de recursos, lentidão do Judiciário, tudo colabora para que se escape das penas da lei. Não faltam exemplos de gente condenada, mas que está livre, leve e solta.

CANETA PESADA

Moro já condenou a maioria deles, mas réus importantes conseguem a liberdade nos tribunais

O ex-ministro José Dirceu, que já deveria ter voltado para a cadeia, goza de plena liberdade em Brasília e nos fins de semana vai à festas e shows até mesmo com a camisa do Corinthians. Dirceu já foi condenado em segunda instância, o que obriga a execução da pena, conforme entendimento recente do Supremo Tribunal Federal. Mas a possibilidade de embargos de declaração retarda sua volta para a prisão. Não há prazo para o caso retornar às mãos do juiz Sérgio Moro para que ele expeça novo mandado de prisão contra Dirceu. Vale lembrar que o ex-ministro é reincidente: condenado no Mensalão em 2012, voltou a ser punido na Lava Jato. Não bastasse isso, diz o Ministério Público, Dirceu recebeu propinas mesmo depois do julgamento do Mensalão. Não se emenda.

BENEFÍCIOS

A advogada Adriana Ancelmo, esposa do ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, e condenada a 18 anos de prisão, usufrui do regime de prisão domiciliar, que ela cumpre em seu luxuoso apartamento no Leblon. Ela conseguiu o benefício para cuidar dos filhos, de 11 e 14 anos. A lei permite a prisão domiciliar a mulheres grávidas e/ou que tenham filhos de até 12 anos. Na prática, a realidade é outra. O caso de Adriana é uma exceção, um privilégio, graças à condição financeira e ao status da ex-primeira-dama do Rio. Segundo dados do Infopen, o Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias, das 37 mil mulheres presas no País, pelo menos 80% são mães. Por que apenas Adriana Ancelmo conseguiu o direito de ir para casa cuidar dos filhos? É mais um caso da diferença na aplicação da lei entre os ricos e os pobres. Coisa que bons advogados resolvem nos tribunais.

O empresário Eike Batista, que já foi o homem mais rico do país, acusado de envolvimento no esquema de corrupção de Sérgio Cabral, passou menos de quatro meses na cadeia. Foram no mínimo US$ 16,5 milhões em propinas pagas por Eike a Cabral. Hoje, em prisão domiciliar, o empresário mora numa mansão na capital fluminense. Na imensa sala, Eike ostenta carrões que valem milhões. Situação mais peculiar vive a jornalista Cláudia Cruz, mulher do ex-deputado Eduardo Cunha, preso em Curitiba. Cláudia foi beneficiada pela corrupção praticada pelo marido, mas foi inocentada por falta de provas, apesar de ostentar na internet fotos fazendo compras milionárias no exterior. Leva vida boa em sua mansão no Rio.

PRISÃO

Eike Batista está em “prisão domiciliar”. Basta observar a sala de confinamento acima para ver como é chata a vida do corrupto.

SÓ UM PRESO

E o que dizer dos executivos da Odebrecht que confessaram crimes escabrosos? Foram firmados 78 acordos de delação premiada com o Ministério Público, mas em apenas um deles há cumprimento de pena em regime fechado. Os executivos confessaram pagamentos de propina em onze países, além do Brasil, mas apenas o ex-presidente Marcelo Odebrecht está preso (e deixará a cadeia daqui a dois meses para o regime semi-aberto). Alguns diretores da Odebrecht sequer foram processados.

Na JBS, a situação não é muito diferente. A empresa ganhou os holofotes da mídia em razão das trapalhadas do ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que concedeu benefícios excessivos nas colaborações de sete executivos. Depois, Janot pediu a rescisão do acordo ao descobrir que os delatores omitiram crimes e informações. Do grande grupo empresarial, maior produtor de carne do mundo, apenas três pessoas estão presas: os sócios e irmãos Joesley e Wesley Batista, além do ex-diretor Ricardo Saud. Não fossem áudios gravados por engano entre Joesley e Saud, dificilmente eles teriam sido presos, e muito possivelmente, estariam aproveitando da impunidade brasileira em apartamentos de luxo no coração de Manhattan, em Nova York.

Mesmo desfrutando de prisão domiciliar, graças a um acordo de delação, o casal de marqueteiros do PT, João Santana e Mônica Moura decidiu por uma regalia ainda maior. Alegando dificuldades financeiras, pediram ao juiz Sergio Moro que liberasse R$ 10 milhões bloqueados em decorrência dos crimes praticados. Moro, como não podia ser diferente, negou o pedido e os recursos permanecem retidos. Afinal de contas, até a impunidade tem seus limites.

Como escapar da prisão apenas com um bom advogado:

Quatro instâncias judiciais;

Depois de uma condenação em primeiro grau, o réu pode acionar outras três instâncias superiores (o Tribunal de Justiça, o STJ e o STF).

Excesso de recursos;

Há uma enorme variedade de recursos da qual as defesas podem lançar mão para adiar a execução da pena, o que pode levar anos. Em muitos casos, as penas prescrevem.

Lentidão da Justiça;

A grande quantidade de ações em tramitação no Poder Judiciário atrasa julgamentos que podem levar os condenados à prisão.

Delação premiada;

Os acordos de colaboração costumam prever o cumprimento das penas em regimes diferenciados, sobretudo em prisão domiciliar, normalmente mansões que mais parecem clube social.

Gastos públicos: burrice, vício ou cegueira?

Por Ricardo Boechat, 28/07/2017,
www.istoé.com.br

Um governante com as taxas de rejeição de Michel Temer (70%, segundo o Ibope) não pode se dar ao luxo de descartar agrados à população. Mesmo que bons gestos sejam incapazes de produzir milagres – não foi ele que liberou as contas inativas do FGTS? – é melhor fazê-los do que desprezá-los.

Isto posto, cabe tentar entender o que o inquilino acuado no Planalto está esperando para acabar de uma vez por todas com a impopular orgia aérea na qual seus ministros e outros premiados da República se lambuzam à exaustão, cruzando em jatinhos da FAB os céus do País com 14 milhões de desempregados e um déficit publico insolúvel.

É verdade que a atual camarilha brasiliense não inaugurou o abuso, praticado desde o nascimento do Grupo de Transporte Especial, criado pela Aeronáutica em 1957 para gozo do chefe de Estado e “demais autoridades”.
Ano passado, quando mais de 2.500 deslocamentos desse tipo foram realizados, pacientes nas filas de transplantes morreram porque o mesmo GTE recusou-se a transportar órgãos de doadores. Um decreto parido pela repercussão do crime determinou que um jato oficial passasse a cuidar de tais emergências, mas manteve os outros 14 da esquadrilha a serviço dos figurões. E eles têm deitado e rolado.

Só no primeiro trimestre, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, fez 30 voos para passar os fins de semana no Rio de Janeiro. Seu sogro, Moreira Franco, e Henrique Meirelles, da Fazenda, também usuários contumazes da mordomia, cumpriram rota idêntica na sexta-feira, 14 de julho, regressando a Brasília no domingo seguinte. Ambos usaram aviões individuais, na ida e na volta.

De janeiro a março deste ano, 519 voos do gênero decolaram da Capital com sultões a bordo, a maioria a caminho de casa. Basta uma canetada de Temer para por fim ao milionário bacanal.

E ele pode começar a faxina dando o exemplo: as viagens nacionais de Sua Excelência envolvem um Airbus A319 (mais de 200 passageiros na configuração comercial) um EMB190 (100 lugares) e dois helicópteros de grande porte. Um aparato de fazer inveja ao presidente americano, o político mais visado do mundo.

Eleições 2018
Sem estrelas

Faltando pouco mais de um ano para as eleições, duas realidades saltam aos olhos. Com muitos políticos enrolados em investigações criminais quase não houve pesquisas de intenção de voto contratadas em grandes institutos. Além disso, como as campanhas (bem mais modestas que no passado) terão poucos recursos em 2018, já que não existe margem para o caixa dois nas doações, o marketing político será basicamente tocado por novatos, como uma espécie de campeonato Sub-20 do futebol.

Brasil
Público versus Privado

Mais dois ministros do governo Temer terão seus atos avaliados na reunião da Comissão de Ética da Presidência da República, nesta segunda-feira 31. Servidores da Secretaria das Mulheres reclamam de “convocações” para cultos evangélicos no gabinete da ministra Fátima Pelaes. A liberdade religiosa está aí, mas louvores em espaço público, de fato, não têm abrigo no Código de Conduta da Alta Administração Federal. Já sobre Maurício Lessa recai denúncia de que a agência de comunicação que presta serviços ao Ministério dos Transportes administra as redes sociais de Sua Excelência.

Bancos 1
Cerco implacável 1

Pelo menos 20 correntistas do Banco do Brasil Miami tiveram suas contas encerradas unilateralmente nos últimos  meses. Alguns eram clientes há muitos anos, movimentando saldos sem glosas e declarados à Receita Federal. A “punição” atingiu parentes de alvos da Lava Jato, em especial políticos. Parte deles pretende processar o BB por dano moral. Alegam que não são  investigados pelos procuradores de Curitiba e tampouco figuram nos processos.

Bancos 2
Cerco implacável 2

Com a mesma referência a “apontamentos cadastrais”, bancos privados também aceleraram a expulsão de familiares de políticos e de outros alcançados pela Força-Tarefa de Curitiba. As contas estão sendo fechadas “por decisão soberana da área de compliance”. Um dos atingidos pediu explicações e recebeu mensagem informando que o banco “não tem dever de fundamentar a decisão”. Ações do gênero estão em andamento no Citibank, Itaú, Santander, Bradesco e Pactual, entre outros.

Planalto
Pouca ação

Michel Temer planeja fazer um pronunciamento à nação caso vença a votação da denúncia apresentada pela PGR no plenário da Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira 2. Como a sessão deve acabar tarde, a fala ocorreria no dia seguinte. O governo quer garantir o quórum de 342 políticos no plenário, mas admite que após a marcação de presença, alguns políticos da base aliada deixem a Câmara, sem que a fuga dê a oposição os votos suficientes para a abertura de ação contra o presidente no STF.  Agora, com o núcleo central do Planalto focado na proteção a Temer, o que se percebe nos governos sãos os ministérios bem paralisados, com seus titulares trabalhando poucos dias na semana e onde falta dinheiro para praticamente tudo.

MPF
Dinheiro?

Surpreendeu a área econômica do governo, na semana passada, nota da Associação Nacional dos Procuradores da República em defesa da proposta de Orçamento para 2018 do MPF. Primeiro, ao destacar que o reajuste salarial de 16,38% para o funcionalismo “não acarretará em aumento de gastos públicos”. Depois, ao afirmar que o impacto de R$ 116 milhões estimado pelo Ministério Público da União “serão compensados”. Em ambos os casos faltou explicar como.

Medicina
Fenômeno social

Divulgação enfim, uma boa notícia. Apesar de todas as dificuldades vividas pelos brasileiros, o transplante de órgãos cresceu no primeiro semestre. Foram quase três mil doações. A entidade (ABTO) que coordena o programa no País prevê que a participação de diferentes atores no processo possibilitará em 2017 um resultado melhor do que de janeiro a dezembro do ano passado (5.512 procedimentos).

Delação
Olha ela aí…

O STF está perto de homologar a delação premiada do fundador e acionista da Gol, Henrique Constantino. O calhamaço, que envolve políticos e o doleiro Lúcio Funaro, entre outros, detalha desvios de recursos do FGTS. Parte da propina, segundo a apuração das operações Sépsis e Cui Bono, irrigou uma empresa que está em nome da mulher do ex-deputado Eduardo Cunha, Cláudia Cruz. Michel Temer também é citado na delação, por ter dado aval ao repasse de Caixa 2, com dinheiro oriundo do esquema,  a campanhas do PMDB. Constantino aceitou pagar multa, na casa dos milhões, como parte do acordo.

Cultura
Padrinho

Há menos de uma semana no cargo, o ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, pode ser orgulhar de ter bons e influentes amigos. Uma das pessoas que atuou com vigor nos bastidores por sua nomeação foi o cineasta Cacá Diegues.


sábado, 21 de outubro de 2017

'Não culpem a globalização'

Historiador sueco diz que a abertura dos mercados favoreceu a redução da pobreza e afirma que populistas como Trump usam o comércio e a imigração como bodes expiatórios

Por Giuliano Guandalini, 04/08/2017,
 www.veja.com.br


Texto de Johan Norberg

Sorria, você vive no melhor dos tempos. Nunca na história a humanidade foi tão próspera, tão longeva, tão sadia e teve qualidade de vida tão elevada. Em 1900, a expectativa de vida média ao nascer era de pouco mais de 30 anos. Hoje, passa de 70. O contingente de pessoas alfabetizadas era de 20%. Hoje, 85%. A pobreza e a violência estão em declínio. Em 25 anos após a queda do Muro de Berlim, a renda per capita mundial cresceu tanto quanto nos 25 000 anos precedentes, graças ao avanço pelo mundo da democracia e do comércio. Para o historiador sueco Johan Norberg, as más notícias são exceções diante de todo esse progresso. Progresso, a propósito, é o título de seu recente – e elogiado – livro, lançado no ano passado e cuja versão brasileira acaba de ser lançada no Brasil pela editora Record. De sua casa, em Estocolmo, Norberg conversou com VEJA pelo Skype.

Com a ascensão do populismo na Europa e nos Estados Unidos, muito tem se falado sobre a necessidade de socializar os benefícios da globalização. Como defensor da abertura dos mercados mundiais, qual a sua avaliação?

Quando observamos os diferentes indicadores sociais e econômicos, nunca vimos anteriormente um período de avanço similar ao dos últimos 25 anos. A cada segundo, três pessoas saem da pobreza extrema. Então, não tenho dúvidas de que a globalização está funcionando muito bem. Obviamente sempre haverá aqueles que não se beneficiam da globalização. Nada na vida funciona bem para todos, o tempo todo. Por isso, há forças crescentes contrárias à globalização. São forças tanto de direita quanto de esquerda.

Houve um empobrecimento relativo em regiões decadentes do antigo cinturão industrial americano. Essas pessoas, que foram decisivas para vitória de Donald Trump, podem ser consideradas perdedores da globalização?

É verdade que essas pessoas ficaram para trás, mas não colocaria a culpa na globalização. O retrocesso teve início bem antes. Desde os anos 1960, os custos trabalhistas das empresas nessas áreas subiram bastante, sem que houvesse um ganho proporcional em produtividade. Além disso, em todo o mundo a indústria perdeu empregos. É culpa das máquinas, principalmente. Um estudo aponta que 88% da redução nos empregos industriais nos Estados Unidos decorreram da automação. O comércio internacional, pelo menos, contribuiu para suavizar o empobrecimento desses operários, ao reduzir o preço das mercadorias.

O governo americano deveria ter ajudada a preparar essas pessoas para a transformação econômica, ou o fenômeno era difícil de detectar?

O setor público, sem dúvida, falhou. Por muito tempo, o que o governo procurou fazer, de fato, foi retirar essas pessoas da força de trabalho, concedendo programas sociais e aposentadorias antecipadas. Muito foi gasto com benefícios, e pouco em educação e treinamento. A ajuda serviu para que essas famílias tivessem suas necessidades básicas atendidas, mas não foi capaz de lhes elevar a autoestima ou dar-lhes novas habilidades técnicas.

"A cada segundo, três pessoas saem da pobreza. Não tenho dúvidas de que a globalização está funcionando muito bem. Obviamente, sempre haverá aqueles que não se beneficiam"

Qual a sua impressão do novo presidente americano?

Trump parece que vai trabalhar com todas as suas forças para transformar a globalização e o comércio internacional em bodes expiatórios. Trump tem sido habilidoso em levar as pessoas a acreditar que as dificuldades decorrem da imigração ou das importações. Decisões como a de sair do Tratado do Pacífico ou erguer o muro com o México são péssimas, sobretudo para os próprios americanos.

O senhor prevê que Trump cumprirá suas promessas ou será enquadrado pelas instituições americanas?

Existe uma boa chance, espero, de o Congresso impor limites às suas ambições. Trump pode ser forçado a se contentar com algumas vitórias simbólicas, mas não a ponto de arruinar o comércio internacional. Sempre haverá, contudo, o risco de um movimento similar ao dos anos 1930, depois do crash da Bolsa de Nova York em 1929. Os Estados Unidos se fecharam para o mundo, e a retórica naqueles dias não era muito diferente da usada por Trump. O protecionismo e as guerras comercias contribuíram para aprofundar a Grande Depressão. Políticos como Trump não são bons em governar, mas são exímios em apontar bodes expiatórios.

Em seu livro Progresso, o senhor lista uma série de evidências de como o mundo está hoje em uma situação mais confortável do que no passado. Somos mais livres, mais ricos, mais educados, mais saudáveis. Não há aí um eco do professor Pangloss, o otimista inveterado de Voltaire?

Meu otimismo é o oposto de Pangloss. Ele diz que este é o melhor dos mundos, não pode ser melhor, mesmo se acontece uma tragédia como o terremoto que destruiu Lisboa. Para mim, ao contrário, podemos fazer muito para melhorar o mundo, até mesmo, por exemplo, evitar que pessoas continuem morrendo desnecessariamente por causa de terremotos.

Nos últimos anos, países como o Brasil e a Grécia viveram retrocesso. O ritmo de progresso mundial está fadado a desacelerar?

Há problemas no sul da Europa. Precisamos avaliar, contudo, os erros cometidos pelos países da região. Com o euro, eles tiveram acesso a recursos abundantes, a um custo baixo. Em vez de investir na produtividade, seguir políticas para aumentar a competitividade e reduzir os obstáculos ao empreendedorismo, aumentaram o seu nível de consumo e os gastos públicos. Mas, uma vez superada a crise, eles poderão retomar a trajetória de desenvolvimento. Não sou expert em Brasil, mas acredito que algo semelhante tenha acontecido aí. A bonança dos recursos naturais poderia ter sido investida de maneira mais inteligente, na diversificação da economia.

"Bill Gates é provavelmente 10 milhões de vezes mais rico do que eu, mas não acredito que a sua vida seja 10 milhões de vezes melhor do que a minha"

Até pouco tempo, a visão predominante era de que os governos não deveriam se preocupar com a desigualdade. O fundamental era incentivar o crescimento, e as forças de mercado cuidariam de prover oportunidade a todos. Hoje, o aumento da desigualdade ganhou o centro das atenções. O que os governos devem fazer?

Não creio que os governos devam ser obcecados com esse assunto. Em nenhum lugar do mundo a desigualdade cresceu tanto quanto na China, e isso foi ótimo. Antes, todos eram igualmente pobres. Há trinta anos, 90% dos chineses viviam na miséria. Hoje, apenas 10%. O progresso nem sempre ocorre ao mesmo tempo, no mesmo ritmo e em todos os lugares. O foco deveria ser sempre ampliar as oportunidades para todos e em reduzir a pobreza. Conforme as novas tecnologias se disseminam, mas acessíveis elas se tornaram, o número de pessoas capacitadas cresce, e tudo isso contribui para a redução na desigualdade. Bill Gates é provavelmente 10 milhões de vezes mais rico do que eu, mas não acredito que a sua vida seja 10 milhões de vezes melhor do que a minha.Empreendedores como Bill Gates e Steve Jobs fazem um tremendo serviço para reduzir a desigualdade, ao tornar a tecnologia acessível a um grande número de pessoas.

O economista italiano Luigi Zingales faz uma distinção entre capitalismo pró-negócios e capitalismo pró-mercado. Segundo ele, grandes corporações, em conluio com políticos, assumem o discurso de defesa da globalização em prol de seus negócios, e não dos consumidores e do mercado como um todo. Concorda?

Desse ponto de vista, de fato, a desigualdade pode ser algo negativo. Pela força do poder econômico, as corporações podem influenciar a agenda política. Foi o que aconteceu na crise financeira. Os executivos de bancos e grandes empresas foram salvos com dinheiro dos contribuintes. Quando empresas ineficientes são protegidas, a produtividade não avança. Novos empreendedores, mais competitivos, não conseguem ter acesso ao mercado.

Os países escandinavos, particularmente a Suécia, costumam ser apontados como exemplos de justiça social. Acredita que outros países devam seguir o exemplo?

É sempre difícil replicar modelos, principalmente quando não existem as pré-condições para tanto. O modelo da Suécia, de fato, é muito bom, mas deve-se entender por que ele funciona. A Suécia é um país pequeno, onde as pessoas confiam umas nas outras e existe ampla confiança na integridade do governo. Temos uma ética do trabalho, a qual alguns atribuem ao protestantismo luterano. Ainda que existam muitos benefícios sociais, as pessoas querem ser produtivas, e não viver sob o cobertor do governo. A pressão da família e dos amigos é severa. Além disso, ao contrário do que muitos imaginam, a Suécia tem uma das economias mais abertas do planeta. Existe aqui mais competição e integração ao comércio internacional do que nos Estados Unidos. Quando pessoas como Bernie Sanders (pré-candidato democrata à presidência dos Estados Unidos) afirmam que desejam imitar o modelo sueco para os Estados Unidos, com mais gastos sociais, mas restringindo o comércio e a competição, posso dizer que seria um desastre econômico.

Em 1970, o economista americano Milton Friedman escreveu um artigo, no jornal The New York Times, em que afirmava que “a responsabilidade social de uma empresa deve ser aumentar os lucros”, e que os programas de responsabilidade social serviam apenas para “enfeitar a vitrine”. O papel da empresa ainda é apenas ter lucro?

Não há dúvida que houve uma grande mudança. Ainda que muitas vezes essas iniciativas realmente não passem de enfeite de vitrine, as empresas sentem a necessidade de atuar em áreas em que os governos muitas vezes falham, como no meio ambiente e na educação. Ao mesmo tempo, é importante para a motivação dos funcionários e das pessoas que se relacionam com aquela empresa não serem máquinas de gerar lucros, e sim estarem envolvidas em algo que contribua para a comunidade. Não creio, de qualquer maneira, que sejam objetivos contraditórios. Afinal, usar os recursos da maneira mais eficiente possível tem tudo a ver com lucro.


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