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quinta-feira, 27 de julho de 2017

A parte que nos cabe

Quem se elegeu vestindo a túnica da ética deveria combater e não aprimorar os esquemas de saque aos cofres públicos

Por Augusto Nunes, 11/07/2017,
 www.veja.com.br


“Parece-me que esses políticos não se sustentam na sociedade com o apoio das pedras, das árvores, do ar, das coisas, em suma, e sim das pessoas – cujo conjunto tem o nome de povo”.
Monteiro Lobato


Texto de Sonia Zaghetto
Esta nossa terra, em que se plantando tudo dá, vem sendo leiloada há tempos. Vendida por muitos dinheiros, traída sem tréguas, saqueada no silêncio das noites. Nada disso começou agora, bem sei, mas hoje as vísceras expostas da Nação traduzem um tempo de monstruosa decadência, em que a corrupção se institucionalizou; entronizada na Praça dos Três Poderes e elevada à categoria de política do Estado.
Homens que desconhecem os limites da decência a negociam às escâncaras, tornando oficial o escambo mais despudorado. Mal respira a pobre pátria. Morre um pouco mais a cada dia. E leva consigo as esperanças de milhões.
Tão clássico quanto a corrupção nacional é o apoio que os corruptos desfrutam desde priscas eras. Do meu arquivo saltam fartos exemplos. Seleciono dois que demonstram como o nosso velho ethos adoecido dá as cartas.

O primeiro tem quase cem anos. Monteiro Lobato, em “Mr. Slang e o Brasil/Problema Vital”, não economiza vinagre ao criticar o governo de Artur Bernardes e a atitude geral dos brasileiros. Suas observações sobre tais temas permanecem dolorosamente atuais. Versam sobre a pesada carga tributária, a imprensa a serviço dos governos, a corrupção generalizada, os abusos de autoridade, os jovens brasileiros que já sonham entrar na vida “aposentados” integrando o serviço público (“monstruoso parasitismo burocrático que aqui rói, como piolheira, o trabalho dos que ainda trabalham”) e a falta de espírito empreendedor.
“O Brasil é a terra onde um parafuso qualquer da máquina governamental, prefeito ou ministro de Estado, tem o direito de ‘ousar tudo’, escudado pela mais completa irresponsabilidade”, diz o velho Lobato, que, de bônus, ainda revela quão antiga e leviana é a nossa forma de escolher quem vai ocupar a cadeira de presidente da República: “Exige-se habilitação para tudo, menos para dirigir o país”.
O segundo exemplo vem do arquivo familiar. Em 7 de março de 1983, meu avô, Roque Pennafort, observador atento da política nacional, resumiu numa carta desalentada as tentativas anteriores de acabar com a praga da corrupção no Brasil: “O fato mais interessante – não fosse tétrico – foi à eleição de 1982, a mais corrompida a que assisti em toda a minha vida. Em 1930 testemunhei uma revolução que, diziam, veio para acabar com todos os tipos de corrupção – inclusive e principalmente a eleitoral. Depois vieram outros golpes que prometiam mudar as diretrizes da vida no País, inclusive o de 1964. Nada mudou quanto à corrupção”.
Trinta e quatro anos depois da carta de meu avô, a velha corrupção e seu cortejo de áulicos continuam a escandalizar os brasileiros. Reagimos esperneando nas redes sociais, consumidos pela desesperança. A cada dia, uma gota de fel: um novo escândalo aqui, uma delação espetacular acolá, um esquema diferente adiante. Tudo regido pela inesgotável criatividade dos gatunos disfarçados de políticos, funcionários públicos e empresários. Há de tudo no cardápio: de náuseas seletivas a desmentidos oficiais desavergonhados, passando por negativas infantis, apelos dramáticos e o conhecidíssimo sofisma.
É evidente a deterioração emocional do País. Nossa autoestima encolhe, os sonhos desvanecem, a esperança vive nocauteada. Vergonha nos traduz. Vergonha, diga-se, não de quem foi logrado e acabou por votar em gente indigna. O que nos constrange é ver os expoentes da indignidade serem reeleitos, apoiados, incensados e idolatrados, mesmo após serem flagrados lambuzando-se nos ilícitos. A responsabilidade por isso é intransferível.
Eis porque a fúria desaba sobre os membros da seita de fanáticos em que se converteu a esquerda brasileira. Incapazes de autocrítica repetem os atos daqueles que tanto criticaram no passado: os seguidores dos velhos coronéis da política, aproveitadores da miséria, cevados por anos com o nosso melhor sangue. Os porcos tornaram-se homens. Ou seria o contrário?
É inegável, ainda, que, na raiz do sentimento de repulsa que os partidos de esquerda têm provocado em significativa parcela da população está a flagrante contradição entre discurso e prática. As alegações de que a corrupção é antiga são verdadeiras, mas convenhamos: quem se elegeu vestindo a túnica da ética deveria combater e não aprimorar os esquemas de saque aos cofres públicos. Reconhecer isso é o mínimo que se espera. Como esse mea culpa não aparece, cresce a reação indignada à elasticidade moral dos que continuam a apoiar corruptos.

Estes comem o fruto amargo que plantaram sob a forma de crise, desemprego e colapso da economia. Mas não o fazem sozinhos. Suas ações obrigam a coletividade a participar do indigesto banquete. Tornam-nos a todos herdeiros compulsórios e comensais do fruto apodrecido. No Brasil em que ovelhas são devotas de lobos, vive-se o pesadelo cotidiano de estar aprisionado às escolhas de um gêmeo siamês a quem já não tolera.
Diante desse quadro, restam dois caminhos. No primeiro, relativamente fácil, continuam a ruir as amizades. Os siameses estrangulam-se mutuamente. É a vitória final do nós contra eles. A alternativa é a união em torno do bem comum. Caminho árduo, porta estreitíssima. Exige maturidade, desapego de ideias arraigadas, altas doses de tolerância. Se bem sucedida, pavimenta a longa estrada da reconciliação nacional, um projeto coletivo no qual a opção pelo País sobrepuja o culto a personalidades políticas. O primeiro de mil passos pode ser dado em 2018.
Essa decisão é a parte que nos cabe.


domingo, 11 de junho de 2017

O real abuso de autoridade



Precisamos impedir que abusadores compulsivos na política se unam para se livrar da lei e frear a Lava Jato 


Por Ruth de Aquino, 31/03/2017,
 www.época.com.br



Você abusou, tirou partido de mim, abusou. Que me perdoem se eu insisto neste tema, tão bem composto pela dupla Antonio Carlos e Jocafi, mas tão vulgarizado em Brasília e nos estados. Não dá para fugir dessa questão, crucial para o futuro. Vocês abusaram, tiraram partido do povo iludido que hoje anda a míngua.  É preciso continuar a passar a limpo a sujeira e impedir que bandidos engravatados se façam de vítimas.

Precisamos impedir como sociedade organizada; que abusadores compulsivos se unam para se livrar da lei. Só assim se fará uma reforma política. Para atrair novas cabeças, é necessário que rolem as cabeças contaminadas pela propina e pelo abuso de poder. Bilhões de reais roubados têm de voltar aos cofres públicos. Quando servidores do estado do Rio de Janeiro recebem 13º atrasado, com dinheiro surrupiado por Sérgio Cabral, a Lava Jato alcança seu objetivo mais nobre. Teve servidor que chorou. Teve servidora que compôs versos. Usaram o dinheiro para quitar dívidas.

Na discussão de quem abusa e quem sofre abuso de autoridade, é sintomático que dois dos principais personagens sejam o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha e o ex-presidente do Senado Renan Calheiros – nossas duas Casas no Congresso. Cunha foi condenado na quinta-feira na Lava Jato a 15 anos e quatro meses de prisão. Renan esperneia para não ter um dia o mesmo destino. Ambos se dizem vítimas de juízes e procuradores, após trair durante anos seus eleitores e suas histórias de vida.

“A responsabilidade de um parlamentar federal é enorme e, por conseguinte, também a sua culpabilidade quando pratica crimes. Não pode haver ofensa mais grave do que a daquele que trai o mandato parlamentar e a sagrada confiança que o povo nele depositou para obter ganho próprio.” É o que diz a sentença do juiz Sergio Moro contra Cunha. Moro é considerado por políticos suspeitos o abusador-mor, o justiceiro.

Cunha foi condenado por lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas. Seu dinheiro na Suíça será confiscado. O ex-todo-poderoso presidente da Câmara responde a mais duas ações criminais e quatro inquéritos. Acusa Moro de parcialidade política e diz ser “o troféu” do juiz. Mesmo em prisão preventiva, Cunha elucubrava ações de “extorsão, ameaça e chantagem” na busca a aliados, segundo a sentença. Falou tão mal dos delatores que, daqui a pouco, não conseguirá, mesmo que queira virar delator. Não restará mais nada nem ninguém a denunciar.

Renan, réu no Supremo Tribunal Federal por desvio de dinheiro, alvo de 11 inquéritos e um dos nomes da “lista de
Janot”, tenta não se tornar Cunha amanhã. É autor do projeto de abuso de autoridade em tramitação no Senado. Sua missão é torpedear a Lava Jato antes de perder a capacidade de se reerguer. A intenção de Renan não é nada republicana. A exemplo de Cunha, Renan apela para a intimidação à Justiça, ao Ministério Público e à Polícia Federal. O propósito é salvar sua pele e a de colegas.

O PT e o PMDB, que se consideram perseguidos pela Lava Jato, não esperavam que o primeiro partido a ser denunciado formalmente pelo Ministério Público Federal fosse o PP (Partido Progressista), de centro-direita. Na ação de improbidade aberta na quinta-feira, dez políticos do PP foram acusados de receber de R$ 30 mil a R$ 300 mil por mês por mais de sete anos. Tudo vindo de contratos da Petrobras, a mãe da propinagem. A Justiça quer a devolução de R$ 2,3 bilhões que teriam sido roubados pelos “progressistas”. A resposta do PP é padrão: “Todas as doações foram legais e devidamente declaradas e aprovadas”. É um escárnio.

A guerra tem de ser suprapartidária. O governador do Pará, Simão Jatene, do PSDB, foi cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral por abuso de poder político. O governador de Goiás, Marconi Perillo, também do PSDB, foi denunciado por corrupção passiva pela Procuradoria-Geral da República. Teria recebido a “mixaria” de R$ 90 mil de propina da construtora Delta. Hoje só é surpresa quando o valor fica abaixo de milhões.

No Rio de Janeiro, foram presos cinco dos sete conselheiros do Tribunal de Contas do Estado, delatados por Jonas Lopes, ex-presidente do TCE. O papel dos conselheiros é analisar as contas públicas. Esses analisavam Sérgio Cabral. No TCE, não se entra por mérito. Os conselheiros são nomeados pelos mesmos políticos que devem ser fiscalizados e os cargos são vitalícios.

O “dono do Rio” e presidente da Assembléia Legislativa, Jorge Picciani, do PMDB, foi levado à força para depor, acusado de organizar os pagamentos ilícitos aos conselheiros. O “padrinho” Picciani fez um discurso conclamando sua inocência. Não convenceu. Vocês abusaram. Tiraram partido do povo. Abusaram.

sábado, 10 de junho de 2017

A gargalhada do coveiro de provas vivas



Gilmar Mendes faria um favor a si mesmo e, sobretudo, ao país se tratasse de marcar encontros com princípios abandonados em algum lugar do passado

Por Augusto Nunes, 10/06/2017,
 www.veja.com.br

 “Recuso o papel de coveiro de prova viva”, resumiu o ministro Herman Benjamin no fecho do monumento à verdade que ergueu em meio às ruínas da Justiça. “Posso até participar do velório, mas não carrego o caixão”, completou o relator do julgamento da chapa Dilma - Temer no Tribunal Superior Eleitoral.

Com o apoio de dois ministros do Supremo Tribunal Federal, indiferente a provocações, apartes impertinentes, risos debochados e sussurros cafajestes, Benjamin acabara de devassar com comovente altivez a catacumba repleta de canalhices protagonizadas pela dupla que fez o diabo para ganhar a eleição de 2014.

Ele soube desde a primeira linha da surdez obscena do trio de súditos afinado com o solista no comando. Mas entendeu que precisava mostrar a milhões de brasileiros o que seria enterrado nesta sexta-feira. E deixar claro que ainda há juízes mesmo em tribunais infestados de espertalhões e sabujos trajando togas puídas nos fundilhos.

O que falta é mais gente decidida a avisar nas ruas, aos berros, que o Brasil decente não se deixará intimidar pelos poderosos patifes que teimam em obstruir os caminhos da Lava Jato. Refiro-me à verdadeira Lava Jato, representada por Sérgio Moro, não à caricatura parida em Brasília por Rodrigo Janot.

A gargalhada de Gilmar Mendes na primeira página da Folha deste sábado comunica que o nada santo padroeiro de amigos em apuros continuará tentando marcar encontros com o que chama de “prisões alongadas ocorridas em Curitiba”. Faria um favor a si mesmo e, sobretudo, ao país se marcasse encontros com princípios e valores abandonados em algum lugar do passado. Quase todos podem ser localizados no histórico voto de Herman Benjamin.

Não será difícil ao atarefado Gilmar Mendes achar tempo para a tentativa de reencontrar a Lei, a Verdade e a Justiça. Basta suspender por algumas semanas encontros com bandidos de estimação e com agentes funerários especializados no sepultamento de provas do crime.


Comentários


Marco Peres
 
Será que esse comentário chega até ele?

Mauro Pereira
 
Caro Augusto Nunes, Gilmar Mendes jogou a última pá de excremento no que restava de confiabilidade na Justiça brasileira. Brasil virou terra ninguém, digna representante maior das republiquetas terceiro-mundistas que devastam a América Latrina. Peço encarecidamente àquele que sair por último; pelo futuro deste pobre país rico, acenda a luz

Fabinho Cabelinho
 
Até que ponto o ministro chegou gente que isso, é vergonhoso, péssimo ministro advogado dos corruptos esse é o verdadeiro emprego do Gilmar, realmente ele foi longe demais com esse julgamento arrumado que vergonha

Gilberto Mendes
 
O JUDICIÁRIO BRASILEIRO está falido há muito tempo, EXCEÇÃO é Moro, o resto, é resto. É por isso que o Brasil nunca ALCANÇA o pleno desenvolvimento. Estamos eternamente em CRISE.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Um pelego de aluguel



Os depoimentos dos 78 executivos e ex da Odebrecht jogam no pântano a pretensão de Lula a ser o brasileiro mais honesto de todos os tempos

Por Augusto Nunes, 19/04/2017,
www.veja.com.br

Texto de José Nêumanne publicado no Estadão

Para qualquer sindicalista, da direção ou da base, que militasse nos anos 70 no movimento operário, a mais forte condenação feita a um adversário era chamá-lo de pelego. Afinal, de acordo com o Dicionário Houaiss, a palavra designa “agente disfarçado do governo que procura agir politicamente nos sindicatos”. O sentido original do termo remete à “pele de carneiro com a lã, colocada sobre os arreios para tornar o assento do cavaleiro mais confortável”. Ou, por extensão, “indivíduo servil e bajulador, capacho, puxa-saco”.

Dificilmente alguém que conhecesse, então, a fama de Luiz Inácio da Silva, o Lula, eleito presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema (hoje do ABC) em 1975 com 92% dos votos e principal líder das greves da categoria na virada dos 70 para os 80 do século 20, o desqualificaria dessa forma. Afinal, foi eleito com o apoio do então presidente Paulo Vidal, fundador do chamado sindicalismo autêntico, contra os pelegos comprometidos com a máquina estatal desde o Estado Novo e seus adversários comunistas, leais à linha moscovita do marxismo-leninismo. Reeleito por força própria em 1978, também com quase a unanimidade de votos, construiu sua biografia alheio à herança populista de Getúlio e com fama de líder operário que não dava trégua ao patronato.

Dá, portanto, para imaginar o espanto nacional ao ver e ouvir, no último fim de semana, de um dos mais poderosos e agora sabidamente corruptos e corruptores burgueses brasileiros, Emílio Odebrecht, “patriarca” da empreiteira herdada do pai, Norberto, e passada para o filho, Marcelo, que a empresa lhe pagou propina sistemática (por isso, corruptora) nestes últimos 37 anos. Com dinheiro furtado da Petrobrás e de outras estatais (daí, corrupta), a construtora contratada para prestar serviços financiou campanhas eleitorais do ex-dirigente sindical nas disputas políticas para presidente da República. Isso após haver conseguido os favores dele na condução de greves da categoria em seu Estado, a Bahia.

À noite, em redes nacionais de televisão, de manhã nas edições dos jornais e ao longo de todo o dia nas emissoras de rádio, o empreiteiro bilionário contou um caso de assustar todos os brasileiros. “Foi uma greve que estava perdurando, com problemas seriíssimos. E eu sei que ele não só me ajudou, como criou uma relação diferenciada com o sindicato na área da Bahia, do petroquímico em particular. Isso, para nós, foi importante, tendo em vista o crescimento do petroquímico e tal. Então, você tem um processo de convívio com ele, quase que institucional. De quando em quando, duas, três, quatro vezes… talvez até em determinados anos mais”, disse Emílio Odebrecht literalmente, sem tugir nem mugir.

Brasileiros de todas as regiões, fés religiosas, idades e convicções políticas têm sido informados “noturna e diuturnamente”, como diria sua discípula favorita e sucessora, Dilma Rousseff, de que para manter o seu Partido dos Trabalhadores (PT) no governo o herói proletário permitira o diabo sob sua gestão. E não apenas para ganhar eleições, mas para ficar no poder. Sob sua égide, a referida senhora e seu vice, Michel Temer, protagonizaram a maior fraude eleitoral da História, que está sob julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). E pelo que foi apurado até agora dá para perceber que, nos três mandatos e meio dos petistas, nenhum cofre da República ficou incólume: todos foram esvaziados.

O delegado Romeu Tuma Jr., filho do homônimo ex-diretor do Dops e da Polícia Federal, revelou em seu livro Assassinato de reputações (Topbooks, 2013) que o mais popular líder político da História do País foi informante de seu pai nos movimentos sindicais. Pode até não ser verdade. Só que até agora ninguém desmentiu oficialmente os argumentos usados pelo policial, ex-secretário de Segurança do Ministério da Justiça no primeiro mandato do indigitado.

Os depoimentos dos 78 executivos e ex da Odebrecht, já chamados de delação do fim do mundo e agora também do mundo todo, de vez que abrangem todo o espectro ideológico e político do País, trazem novas informações e documentos que jogam no pântano sua pretensão a ser o brasileiro mais honesto de todos os tempos. E conforme foi revelado agora se constata seu papel de “pelego enrustido” (apud Houaiss, dissimulado), eis que sempre atuou a serviço daqueles que publicamente execrava nas assembléias, nos palanques, nos meios de comunicação e nos pronunciamentos oficiais. Emílio contou que a Odebrecht participou da redação do documento mais importante da campanha histórica que levou ao poder pela primeira vez na História do Brasil um operário braçal, ele próprio: a Carta ao Povo Brasileiro.

E não ficou nisso. No livro O que Sei de Lula (Top books, 2011), registrei a versão muito comum, disseminada por empresários que conviveram com um dos ideólogos do golpe militar de 1964, o general Golbery do Couto e Silva, de que o metalúrgico teve a carreira apadrinhada por este. Fê-lo para evitar que seu inimigo, Leonel Brizola, encampasse os sindicatos de esquerda na redemocratização. Emílio Odebrecht contou o seguinte: “Eu fui pedir ajuda ao Golbery, conversar essas coisas todas para lhe pedir uma orientação e na conversa vai, conversa vem, vem o negócio de Lula. E ele chegou e fez um negócio que me marcou. ‘Emílio, Lula não tem nada de esquerda’. Foi-lhe, então, perguntado: ‘Nada de esquerda’? E Emílio explicou: ‘Nada de esquerda. Ele é um bon-vivant. Olha, e é verdade. Ele gosta da vida boa’”. Pois é.

Réu em cinco processos na Justiça e alvo de mais seis petições remetidas pelo relator da Lava Jato no STF, Edson Fachin, a várias varas da primeira instância, Lula já tem problemas de sobra para enfrentar. Só faltava a revelação de que o herói da classe trabalhadora nunca passou de um pelego enrustido, alugado pela corrupta burguesia nacional.



Comentários

VPB
 
Excelente texto Nêumanne, as pessoas que acompanham política sempre soube desses fatos, porém, faltavam às provas e, agora com a delação do patriarca da corrupção, apareceram! Lulla sempre foi e sempre será um mal caráter!

Adilson Nagamine
 
Pelego? Dedo duro do general Golbery. Não faça do microondas uma arma. Adilson Nagamine

Isa
 
Maravilha de artigo! Coloca o Lula em seu devido lugar: o de explorador de ideologias e do povo, e, com isso, viver um vidão de opulências e poder. Ojeriza desse indecente com olhar de cachaceiro.

Sonia Fausta Tavares Monteiro
 
Realmente de assustar: traidor da classe operária, que fingia representar e defender; traidor de grande parte da população, que nele votou; e traidor da pátria, de modo geral, quando investiu contra todos os princípios éticos e morais, atribuíveis a um chefe de Estado, para obter vantagens pessoais!
Mil vezes vergonhoso!!!

Davi AHS
 
“Ele é um bon-vivant.”. Traduzindo, o Golbery disse: “Ele topa qualquer parada pra se dar bem”. Aquele dedo a menos já devia fazer acender uma luz de alerta pra todo mundo. Mas, Lula foi usado pela esquerda para chegar ao poder, e esta, lá chegando, quase destruiu o país com sua pequenez moral.

Silvando
 
Belíssimo texto deveria ser leitura obrigatória em todos ambientes para demonstrar que: salvadores da pátria e endeusados nunca existiu e nunca existirá.

Jose Carlos
 
É claro que, como de costume, lulladrão vai dizer q é tudo mentira; calunias, etc., etc. etc. Esse cara é o maior lixo já produzido pela política,é uma ofensa ao povo brasileiro,ter tido um personagem desses como seu presidente.

Paraense
 
Poxa Nêumanne.

Não estive na conversa com o Golbery, mas desde o mensalão escrevo que Lula não é esquerda, direita, centro, nem lugar nenhum. Lula se resolve em uma palavra ou duas.

OPORTUNISTA e FARSANTE - Não necessariamente nessa ordem.
Abc.