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quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Meu tribunal particular (Fonte: Metro 04/09/2012).

A ampla maioria aprovou a minha greve por direitos iguais ou parecidos aos dos servidores públicos federais que paralisaram o país nos últimos meses. Mas teve uma minoria que, não bastasse ter causado transtornos enormes a milhões de pessoas que pagam seus salários, optou por xingamentos, ao invés de argumentos. Fiquei com a sensação de que essa minoria realmente se acha dona de um cercado que não é seu, e sim de todos os brasileiros. Categoria importante para o país, diga-se de passagem, mas que passa a impressão de que não há hierarquia, metas a cumprir, profissionalização, responsabilidade e respeito pelo cidadão. Como se fossem os donos do mundo. Agora, depois da minha greve, decidi criar meu próprio tribunal. Estará acima de tudo e de todos. Só meu e dos meus amigos. A exemplo de um ex-presidente, que nomeou um petista amigão do Zé Dirceu para a mais alta corte de Justiça, eu também quero. Vou nomear só meus bruxos. Juiz da minha Corte Suprema será cargo de confiança. Tem que votar comigo. Sempre. Me absolver em todas. E que ninguém faça diferente. Destituo na hora. Se o Dias Toffoli, que foi advogado do PT pode julgar o mensalão e absolver a quadrilha, também tenho esse direito. Por que só eles? Minha corte não terá, como o STF, 11 integrantes. Eu quero uns 30. Assim, os julgamentos ficarão ainda mais demorados. Acharam muito os sete anos que levaram para julgar o mensalão? Não viram nada. No meu tribunal serão uns 20 anos com todo mundo sentado em cima dos processos. Tudo vai prescrever rapidinho e a impunidade estará garantida. Justiça ágil e rápida? Para que mesmo? E dos 30 magistrados eu quero a maioria Toffoli e Lewandowski, no corte de cabelo e na barba. Para dar pompa. Será meu tribunal particular. Para lá mandarei meus amigos enrolados em problemas, com a justiça. Mandarei todos. Sem falar que criarei o foro privilegiado para os parceiros. Se deputados, senadores e políticos corruptos têm essa barbadinha, por que não eu? Por que não nós? Diz o artigo 5º da Constituição brasileira que “todos são iguais perante a lei”. Pensei em fazer “minha Constituição particular”. Mas será que precisa? Diego Casagrande, (Metro)

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