A pecha da corrupção, pela Lava
Jato, e a crise econômica fazem o partido encolher nas prefeituras. Assim, será
mais difícil eleger deputados em 2018
Por LEANDRO
LOYOLA, 02/10/2016,
www.época.com.br
De acordo apenas com os
resultados nas capitais dos estados, já disponíveis, o calvário previsto para o
PT está confirmado. Além da derrota do prefeito Fernando Haddad em São
Paulo, que não conseguiu nem chegar ao segundo turno, o partido emplacou apenas
um prefeito em primeiro turno – Marcus Alexandre, em Rio Branco, no Acre,
reeleito. No Recife, João Paulo disputará o segundo turno. E só. Em 2012, o PT
elegeu quatro prefeitos de capitais, sendo que uma delas era a maior do país.
Hoje, tem apenas uma das menores. Os últimos quatro anos não foram gentis com o
PT. O resultado disso está saindo das urnas.
Em 2012, o Brasil sorria para o PT. A economia
parecia estar em ordem – não havia ainda os efeitos da política econômica de
expansão de gastos públicos e pedaladas fiscais, já em vigor em Brasília sob a
Presidência de Dilma Rousseff. Não havia também o ronco das ruas. Não havia
a Operação Lava Jato. Em pouco tempo, tudo mudou. Em 2013, as ruas
foram tomadas por manifestantes que protestavam contra um reajuste em tarifas
de transporte em São Paulo. Tornaram-se local de protestos contra o governo
Dilma, a favor do impeachment e hoje contra o governo Temer. A maior recessão
da história brasileira bateu na porta em 2013 e colou no PT a imagem da crise
econômica.
O pior, que cobra a fatura hoje, é a Operação Lava
Jato. O esquema de corrupção que sugou a Petrobras sangrou os partidos da
aliança que elegeu Dilma Rousseff, mas o efeito sobre o PT foi o mais danoso.
Dois dos três últimos tesoureiros do partido foram presos, e também dirigentes
importantes como o ex-ministro José Dirceu. Lula se tornou réu por lavagem de
dinheiro e corrupção há duas semanas. Assim, candidatos do PT, que em 2012
usavam santinhos com as fotos de Lula e Dilma, neste ano fugiram de ambos e até
esconderam as cores e o nome PT de seus santinhos. Tiveram de fazer campanha
com a pecha de pertencerem a um partido acusado de corrupção. Não puderam
aproveitar a popularidade de Lula.
Em 2012, o PT elegeu 635 prefeitos, 11% a mais do
que elegera quatro anos antes. Ninguém espera uma evolução neste ano: o tamanho
da redução é que intriga. Um número menor de prefeitos significa, entre outras
coisas, dificuldade maior para candidatos a deputado federal fazerem campanha
em 2018. Será, portanto, mais difícil eleger deputados. Essa é a maior
preocupação do PT hoje. Encolher nas cidades é ruim, mas encolher na Câmara é
péssimo. Significa perder benesses como ser dono do maior fundo partidário, o
dinheiro público dado às legendas. O PT sente neste momento o primeiro efeito
prático da Lava Jato e da crise econômica, penduradas nas pontas de sua
estrela. Carregará ambos por algum tempo. Será um deserto difícil de
atravessar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário